Meus @migos, eu queria trazer hoje, neste blog, um tema de fundamental
importância para o nosso País, para o nosso Estado, que é a questão da
Educação. Eu gostaria de enfatizar especificamente a educação em nosso
Estado. Os professores do Maranhão enfrentam hoje
uma série de dificuldades, que prejudica a sua missão fundamental de
educar os nossos jovens. A mais visível delas foi a fixação de um
calendário escolar sem que os professores e os trabalhadores de educação
fossem ouvidos. O resultado é uma situação de incerteza, que afeta não
apenas professores e funcionários, mas toda a população do Estado. O início do ano letivo da rede pública
de ensino, com o retorno às aulas, estava previsto para 6 de fevereiro, a
última segunda-feira. Foi transferido, porém, para o dia 23 de
fevereiro. A alegação é de que uma ou outra escola ainda se encontra em
obras. Como resultado, alterou-se toda a programação escolar,
comprimindo-se o período letivo. Em uma tentativa de manter a carga
horária, estabeleceu-se que os sábados e os feriados, até meados do ano,
serão ocupados por aulas de reposição. Prevê-se também o atraso na
conclusão do ano letivo. Trata-se de um remendo, que não atende a
ninguém, muito menos à qualidade do ensino em nosso Estado. Os professores enfrentam também
problemas nas folhas de pagamento. Enquanto alguns deles deixaram de
receber um terço do décimo terceiro salário, outros sofreram descontos
indevidos na Gratificação de Incentivo à Docência. Em uma demonstração
de descontrole do setor, parcela dos professores tiveram essa
gratificação depositada duas vezes. Ao se tentar corrigir o problema,
com desconto em folha, acabou-se por atingir profissionais que não
haviam recebido o valor a mais. Tudo isso se fez sem qualquer
notificação aos professores da rede pública de ensino. Esses dados
permitem uma explicação para os fracos resultados obtidos nos últimos
anos pelo sistema educacional. Dados do respeitado movimento
Todos pela Educação permitem uma avaliação.
A taxa de analfabetismo, entre os que
têm 15 anos ou mais, está ainda em 10,3%, acima da média nacional. O
desempenho do Enem também fica muito aquém do desejável.
O mais sério dos problemas enfrentados
pelo magistério, porém, é a violação de uma importante
conquista. Sua carga horária até hoje não foi adequada à determinação
para que se reserve um terço dela a atividades extraclasse. Lembremo-nos
de que a Lei n° 11.738, de 2008, conhecida como Lei do Piso Nacional, votada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, determina
que, no máximo, dois terços da carga horária dos professores sejam
dedicados a atividades diretas com os alunos. Houve reação de alguns governos estaduais, que contestaram essa medida no Judiciário. Em abril do ano passado, o Supremo
Tribunal Federal considerou constitucional a reserva de percentual
mínimo de um terço da carga horária dos docentes da educação básica para
dedicação às atividades extraclasse. Esse princípio atende, é claro, a
uma reivindicação dos professores de todo o Brasil. No entanto, não são
apenas os professores que dela se beneficiam. Representa uma conquista
também para os estudantes e todas as famílias do nosso País e do nosso
Estado.
As atividades extraclasse, como o
preparo de aulas, o atendimento aos alunos e até o aperfeiçoamento dos
docentes, certamente se refletirão sobre a qualidade do ensino
ministrado. É um conceito moderno, aplicado nos países que têm os mais
respeitados sistemas de ensino. Tive a oportunidade, com muitos outros, de ver o esforço que levou à inclusão desse
princípio na Lei do Piso Nacional. Enfrentamos uma dura batalha no
Legislativo e outra no Judiciário, mas os professores saíram vitoriosos. É indispensável, portanto, que as
autoridades cumpram o que determina a lei e procedam à adequação da
carga horária dos professores, no Maranhão como em todo o Brasil.
quinta-feira, 1 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Novo piso do magistério complicará finanças municipais, impacto será de R$ 7 bi
O valor do novo Piso Nacional do
Magistério será R$ 1.451 de acordo com anúncio do Ministério da Educação
(MEC) nesta segunda-feira, 27 de fevereiro. A divulgação do mínimo a
ser pago aos professores deveria ter sido feita em janeiro, mas além de a
correção, o MEC sinaliza que Municípios devem pagar os valores devidos
aos professores retroativos a janeiro.
De acordo com estudo da Confederação
Nacional de Municípios (CNM), para a jornada de 40h semanais, o reajuste
representa aumento de 22,22% sobre o valor do ano anterior. O
presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, demonstra preocupação: “o piso
salarial é uma justa reivindicação, mas não pode causar desequilíbrio
nas contas públicas”.
Pelos dados da entidade, para cumprir a
lei do piso e manter a carga horária de trabalho em sala estipulada pela
lei, os Municípios precisarão de contratações adicionais. “Incorporando
o pagamento dos professores e o cumprimento da nova carga horária, o
impacto financeiro será em torno de R$ 5,4 bilhões”, explica Ziulkoski.
Porém, com os benefícios do Piso extensivos aos aposentados e inativos
pelo Magistério, que terá um montante de aproximadamente R$ 1,6 bilhão, a
soma desse impacto pode chegar a R$ 7 bilhões.
A legislação determina que a atualização
seja calculada a partir do mesmo porcentual de crescimento do valor
mínimo anual por aluno do Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento
da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
(Fundeb). Na pesquisa da CNM com os Municípios, durante três anos, o
custo adicional só com a folha de pagamento anual será de R$ 1,6 bilhão.
Pesquisa da CNM
O estudo registrou informações até novembro de 2011, e considera os salários do magistério público referentes às diversas jornadas de trabalho dos profissionais com formação em nível médio e superior. Também foi levado em conta que existe cerca de um milhão de funções docentes, entre professores com nível médio e nível superior nas redes municipais em todo país, conforme os dados do Censo Escolar de 2010.
O estudo registrou informações até novembro de 2011, e considera os salários do magistério público referentes às diversas jornadas de trabalho dos profissionais com formação em nível médio e superior. Também foi levado em conta que existe cerca de um milhão de funções docentes, entre professores com nível médio e nível superior nas redes municipais em todo país, conforme os dados do Censo Escolar de 2010.
Ao avaliar as diversidades regionais, a
CNM constatou que o impacto do reajuste será mais trágico na Região
Nordeste, que possui a menor média salarial e tem quantidade razoável de
funções docentes. “O impacto é significativo, pois no julgamento da
constitucionalidade da lei o piso, o STF [Supremo Tribunal Federal] se
referiu apenas aos vencimentos iniciais e a conta considerou também as
eventuais gratificações pagas aos docentes”, explicou Ziulkoski.
GratificaçõesVantagens
recebidas pelos professores, como: adicional tempo de serviço e por
titulação, gratificações de regência de classe ou de atividade do
magistério, de função, de educação especial e difícil acesso geram
custos de 21% adicional ao vencimento inicial piso, em média. Isso foi o
que mostrou a pesquisa da Confederação com os mais de dois mil
Municípios contatadas.
Além da dificuldade que os Municípios
terão para pagar os profissionais da Educação, a CNM também aponta o
agravante da necessidade de contratação, decorrente do limite máximo de
2/3 da jornada para efetivo trabalho. De acordo com a lei, os
professores devem ter a carga citada acima com os estudantes. No
entanto, os alunos têm direito a quatro horas diárias de atividades com
os professores, conforme estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB).
Segundo a pesquisa da CNM, as horas
atividades praticadas nos planos de carreira dos Municípios variam entre
0% a 35% da jornada de trabalho do professor. “Apesar de a média desse
percentual ter crescido de 19,4% para 20,8%, de 2009 para 2011, o
impacto para adequação – no que se refere às horas atividades – será
exorbitantes, R$ 3,8 bilhões. Valor que referente a contratação de 195
mil novos profissionais do magistério.
“Os recursos do Fundeb não são suficientes para o pagamento da folha do magistério”, afirma o presidente da CNM, com base nos dados oficiais. De acordo com os dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), em 2010, 5.396 Municípios investiram R$ 31,7 bilhões com a folha de pagamento. O valor comprometeu 71,6 % do Fundo.
“A União não apoia efetivamente, e os
Municípios empenham, sozinhos, esforços para assegurar o cumprimento da
lei. O novo valar a ser pago evidencia ainda mais a necessidade da
complementação do governo federal ao piso em 2012”, finaliza Ziulkoski.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Novo Piso Salarial dos professores !
O Ministério da Educação divulgou na tarde desta segunda-feira (27) que o piso salarial nacional dos professores será reajustado em 22,22% e seu valor passa a ser de R$ 1.451,00 como remuneração mínima do professor de nível médio e jornada de 40 horas semanais. A decisão é retroativa para 1º de janeiro deste ano.
O reajuste de 22,22% já era esperado visto que a correção reflete a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) de 2011, em relação ao valor de 2010.
O ex-ministro da educação, Fernando Haddad, já havia dito que o reajuste seria com base na lei do Piso (LEI Nº 11.738,/2008) e desde o ano passado, as frentes sindicais e a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) vinham reivindicando no mínimo um reajuste de 22,2% com base nesta lei.
Em Chapadinha-MA, os professores estão recebendo 16,67% e Secretaria Municipal de Educação (SEMED) aumentou o piso de R$ 600,00 para R$ 700,00 em janeiro deste ano 2012. Isso acontece porque nossos professores trabalham apenas em regime de carga horária de 20h e portanto recebem apenas metade do piso e em março o valor será alterado para R$ 725,50 no primeiro nível (professor com nível médio).
Aelson Barros.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Corte da Presidenta Dilma para 2012
Nestes últimos dias, ouvimos a decisão
do Governo de fazer corte de verbas, desrespeitando dos nós, sem avisar nem
Senado e Nem Congresso. Também
tem havido polêmica em torno do corte de verbas das emendas de parlamentares.
Quero dizer que, pessoalmente, acho até que não deveria haver emenda
parlamentar. É perfeitamente possível o Orçamento ser construído em conjunto
com o Poder Executivo e com o Poder Legislativo, sem que haja emenda que parta
daqui. Mas, hoje, tratam a idéia de emendas parlamentares como se fossem apenas
de interesses fisiológicos, como se fossem de interesses apenas do parlamentar,
não da sociedade. E se fala em cortar recursos das emendas parlamentares sem
analisar para onde elas vão. É o tal do corte linear. Em função disso, decidi
trazer aqui, hoje, algumas emendas das quais estão no portal da transparência
de parlamentares do Maranhão. Vejam quais foram os objetivos das emendas da
Bancada do nosso estado. Para a área de saúde, os recursos
foram destinados para o Hospital Universitário, para o Hospital da
Criança, para o Hospital Sarah Kubitschek. Ou seja, são recursos para a área de
saúde, que representaram mais de 50% do que foi disponibilizado das emendas.
Devem-se cortar recursos que vão para a saúde ou não? Inclusive, em geral, no tocante a essas emendas da Bancada, atendemos ao pedido que vier do Governo do Estado do Maranhão. Por isso, há também emendas para drenagem e pavimentação, para implantação de trecho ferroviário.
Devem-se cortar recursos que vão para a saúde ou não? Inclusive, em geral, no tocante a essas emendas da Bancada, atendemos ao pedido que vier do Governo do Estado do Maranhão. Por isso, há também emendas para drenagem e pavimentação, para implantação de trecho ferroviário.
É preciso deixar claro que essas
emendas têm uma finalidade ou de infra-estrutura ou social na área de educação
e saúde. Na hora de analisar se deve haver corte sobre elas, tem de se ignorar
se elas são de parlamentar ou não, tem de se observar se elas têm finalidade de
interesse social, de interesse coletivo ou de interesse fisiológico do
parlamentar, que nem deveria ter apresentado emenda nesse sentido.
Ainda no caso das emendas coletivas, foram destinados recursos da ordem de R$46 milhões para a educação básica e infantil, para serviços consulares, para crianças e adolescentes, para quilombolas e para o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Ninguém pode dizer que qualquer desses objetivos é fisiológico, é de interesse pessoal. Mas, se for necessário cortar, creio que deve ser cortado, porque, Mas que se discuta antes com o Congresso e que se corte aquilo que for supérfluo – há muita coisa supérflua, sim, nos gastos do Governo –, não aquilo que tem finalidade. Eu, que sou muito cuidadoso nisso, volto a insistir: o ideal era que nem houvesse emenda parlamentar, o ideal era que houvesse diálogo com o Parlamento.
A minha grande preocupação com o corte de gastos não está no corte de gastos. Nós vamos ter de cortar gastos, é questão de tempo. E espero que façamos isso antes que se chegue à situação da Grécia, que tem de demitir quinze mil servidores neste ano e 150 ao longo dos próximos anos, o que é um erro também, porque não deveria haver demissão; poderiam, inclusive, reduzir os salários mais altos, para manter o emprego dos que têm salários mais baixos.
Não podemos deixar que o Brasil
chegue a esse ponto, mas, se não tomarmos algumas medidas agora, como a Grécia
não tomou há cinco anos, poderemos passar por períodos não exatamente iguais,
por causa do tamanho do Brasil, porque somos donos da nossa moeda, mas
poderemos passar por situações difíceis. Ainda no caso das emendas coletivas, foram destinados recursos da ordem de R$46 milhões para a educação básica e infantil, para serviços consulares, para crianças e adolescentes, para quilombolas e para o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Ninguém pode dizer que qualquer desses objetivos é fisiológico, é de interesse pessoal. Mas, se for necessário cortar, creio que deve ser cortado, porque, Mas que se discuta antes com o Congresso e que se corte aquilo que for supérfluo – há muita coisa supérflua, sim, nos gastos do Governo –, não aquilo que tem finalidade. Eu, que sou muito cuidadoso nisso, volto a insistir: o ideal era que nem houvesse emenda parlamentar, o ideal era que houvesse diálogo com o Parlamento.
A minha grande preocupação com o corte de gastos não está no corte de gastos. Nós vamos ter de cortar gastos, é questão de tempo. E espero que façamos isso antes que se chegue à situação da Grécia, que tem de demitir quinze mil servidores neste ano e 150 ao longo dos próximos anos, o que é um erro também, porque não deveria haver demissão; poderiam, inclusive, reduzir os salários mais altos, para manter o emprego dos que têm salários mais baixos.
Então, não sou contra corte de gasto, sou contra desperdícios, como os que estão ocorrendo atualmente. Este é o primeiro ponto que me preocupa: falta o diálogo.
O segundo ponto que me preocupa é que o Governo diz que vai cortar, porque vai haver uma redução de receita – portanto, não haverá aumento na produção, como se esperava –, mas a gente sai dali, e os discursos são de que estamos num paraíso, de que tudo é uma maravilha. Pelas propagandas do Governo que a gente vê, parece que estamos na Noruega, em todas as áreas do setor social, e que a economia cresce como se fosse a da China. Aí a gente para um pouquinho, lê o jornal e vê que está havendo corte de verba. O Governo tem de ser honesto e coerente e tem de dizer à população: “Estamos vivendo um período perigoso e, por isso, temos de fazer corte”.
A segunda preocupação, então, dá-se com a falta de sintonia entre o discurso geral e o discurso específico, entre o discurso geral sobre a situação da economia e o específico sobre o corte de gastos.
E o terceiro ponto é onde cortar. Lamentavelmente, três dias depois da decisão de corte, ainda não sabemos onde serão os cortes exatamente, porque saíram os grandes cortes, mas não saíram os específicos. Estou muito curioso para saber qual foi esse grande corte que houve no Ministério das Cidades: foi para estádios ou foi para saneamento? O que cortaram? Dinheiro para saneamento, para água, ou dinheiro para fazer estádios para a Copa? A gente não sabe.
Como
um bom maranhense tem de ser capaz de ver a realidade em vez de estar no frevo
nesta hora. Mas não podia deixar passar a oportunidade de dizer da minha
preocupação, mesmo depois do Carnaval.
Aelson
Barros
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Eleições 2012
vim aqui, para falar sobre as eleições que acontecerão este ano, vocês que
me estão lendo este blog vão eleger 52.137 Vereadores – é um número
significativo – e 563 Prefeitos em todo o brasil. Logo, vão eleger os futuros líderes
deste País, porque é de vereador que se vem, é de prefeito que se vem,
até se chegar aos níveis superiores da liderança nacional. Mas, mais que
isso, vocês vão eleger aqueles que, nos próximos quatro anos, vão
cuidar das ruas onde vocês moram; vão cuidar, em parte, da água que
bebem; vão cuidar do saneamento na casa de vocês; vão cuidar da
regulamentação das feiras, do comércio. Vocês vão eleger aqueles,
sobretudo, que vão cuidar das crianças de vocês e do Brasil inteiro. No
Brasil, são os prefeitos, são as câmaras municipais, é o governo local
que cuida do ensino fundamental; que cuida, onde há, das creches; onde
não há creches, são eles que cuidam do apoio às mães que têm filhos.
Por isso, a eleição tem uma importância muito maior do que a maior parte dos eleitores
percebe. Há uma tradição de se dar mais importância ao Presidente, aos
Governadores, aos Senadores, aos Deputados Federais e aos Deputados
Estaduais do que àquele que está na ponta, em contato com vocês, que é o
Vereador, e do que àquele que está na ponta como executivo, que é o
Prefeito.
Por isso, vim aqui fazer um
apelo aos eleitores brasileiros, aos 130 milhões de eleitores que vão
escolher 52.137 Vereadores e 563 Prefeitos: primeiro, procurem votar
naqueles que merecem confiança; olhem nos olhos deles na hora de
conversar, quando eles nas ruas os encontram, quando na televisão eles
aparecem; olhem o passado deles, vejam até que ponto esse passado é
coerente com o que eles falam para o futuro, tanto do ponto de vista
ético, quanto do ponto de vista da proposta que eles fazem ou que ele
faz, o seu candidato. Preste atenção, porque há candidatos que já o
enganam quando olham para você – e dá para perceber – e há outros até
que passam uma idéia incompatível com o passado; logo, não vale a pena
confiar.
Este é o primeiro ponto: o
ponto da confiança. Essa é uma coisa subjetiva que você vai ter de
escolher conforme sua experiência, conforme seu gosto. A outra coisa, ao
escolher seu candidato, seja para Prefeito, seja para Vereador, seja
para Prefeita ou para Vereadora, é a seguinte: olhe as propostas que
eles fazem. É claro que todos eles prometem mais ou menos o mesmo em
relação ao asfalto e aos jardins, em relação a acabar com a poeira –
isso todos falam. Mas eu queria pedir que olhassem um aspecto das
propostas dos seus candidatos: o compromisso deles com suas crianças, o
compromisso deles com a educação das crianças no ensino fundamental e o
cuidado com as crianças nas creches – mesmo que hão haja creche, olhem o
apoio que será dado àquelas famílias que precisam.
Quando for votar, não vou
pedir que você ignore o presente nem a si próprio. Mas não fique só no
presente e em si próprio, olhe o futuro e o conjunto da cidade. E tanto o
futuro como a cidade dependem das crianças, pois são elas que vão fazer
a sua cidade, são elas que vão construir o futuro. E é na escola que as
crianças e o futuro se encontram. A escola é uma espécie de esquina
onde a criança, a pessoa, o futuro e um projeto se encontram, porque é
ali que a criança adquire os instrumentos necessários para servir a ela
própria, no seu futuro, e se colocar à disposição da sociedade no futuro
da sua cidade. Eu vim falar
nessa qualidade, na qualidade de alguém que gostaria de ver o Brasil
cheio de Vereadores educacionistas; cheio de Vereadores comprometidos
com o educacionismo; cheio de Prefeitos educacionistas comprometidos com
o educacionismo; cheio de Prefeitos e Vereadores que entendessem que o
futuro da cidade depende, sobretudo, da escola. Já o presente da cidade
depende também de cadeias, o que nem sempre é de responsabilidade do
Prefeito; depende de a água estar limpa; depende de se cuidar do meio
ambiente; depende de se fazerem programas de geração de emprego; depende
de asfalto. Depende de muitas coisas o presente, mas o futuro depende
de uma coisa, que é a escola. Até a saúde é uma questão do presente; no
futuro, ela depende da educação.
Daí meu apelo, com a convicção de que não estou ferindo lei eleitoral
alguma, porque não trouxe nenhum número, não trouxe nenhum nome, não
defendi nenhuma sigla. Defendi essa espécie de partido abstrato chamado
educacionista. Da mesma maneira, se eu estivesse aqui há 130 anos ou há
140 anos, eu defenderia o partido abolicionista, independentemente da
sigla à qual pertencessem os daquela época, no Império.
Nesta eleição, use a
ponta do seu dedo para escolher alguém – Prefeito, Prefeita, Vereador,
Vereadora – que tenha compromisso com as crianças e com a educação. E o
resto, obviamente, todos eles serão obrigados a fazer, porque você vai
estar de olho no que ele faz no calçamento, no que ele faz nos jardins,
no que ele faz na saúde. Na educação, a gente costuma não prestar
atenção, a gente costuma não ver. Por isso, é preciso ver antes do
desastre feito, é preciso ver antes de ele começar os quatro anos, nos
quais você vai estar contente, usufruindo, ou triste, condenado.
Vote de forma certa. Vote nos
educacionistas que são candidatos. Vote em um deles, porque há muitos
educacionistas em qualquer partido. Entre os 52 mil Vereadores, há um
bom grupo de educacionistas capazes de pensar o futuro e construí-lo com
base na educação de nossas crianças.
Aelson Barros
STF decide pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa
STF decide pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa
Os
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) concluíram nesta
quinta-feira (16) a análise conjunta das Ações Declaratórias de
Constitucionalidade (ADCs 29 e 30) e da Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADI 4578) que tratam da Lei Complementar
135/2010, a Lei da Ficha Limpa. Por maioria de votos, prevaleceu o
entendimento em favor da constitucionalidade da lei, que poderá ser
aplicada nas eleições deste ano, alcançando atos e fatos ocorridos antes
de sua vigência.
A Lei Complementar 135/10, que deu nova redação à Lei Complementar
64/90, instituiu outras hipóteses de inelegibilidade voltadas à proteção
da probidade e moralidade administrativas no exercício do mandato, nos
termos do parágrafo 9º do artigo 14 da Constituição Federal.
Em seu voto, o ministro relator, Luiz Fux, declarou a parcial
constitucionalidade da norma, fazendo uma ressalva na qual apontou a
desproporcionalidade na fixação do prazo de oito anos de inelegibilidade
após o cumprimento da pena (prevista na alínea “e” da lei). Para ele,
esse tempo deveria ser descontado do prazo entre a condenação e o
trânsito em julgado da sentença (mecanismo da detração). A princípio,
foi seguido pela ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, mas,
posteriormente, ela reformulou sua posição.
A lei prevê que serão considerados inelegíveis os candidatos que
forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por
órgão judicial colegiado, em razão da prática de crimes contra a
economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio
público; contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de
capitais e os previstos na lei que regula a falência; e contra o meio
ambiente e a saúde pública.
Serão declarados inelegíveis ainda os candidatos que tenham cometido
crimes eleitorais para os quais a lei comine pena privativa de
liberdade; de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à
perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública; de
lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; de tráfico de
entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos;
de redução à condição análoga à de escravo; contra a vida e a dignidade
sexual; e praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.
As ADCs, julgadas procedentes, foram ajuizadas pelo Partido Popular
Socialista (PPS) e pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB). Já a ADI 4578 – ajuizada pela Confederação Nacional das
Profissões Liberais (CNPL), que questionava especificamente o
dispositivo que torna inelegível por oito anos quem for excluído do
exercício da profissão, por decisão do órgão profissional competente, em
decorrência de infração ético-profissional –, foi julgada improcedente,
por maioria de votos.
Divergência
A divergência foi aberta pelo ministro Dias Toffoli que, baseando seu
voto no princípio da presunção de inocência, salientou que só pode ser
considerado inelegível o cidadão que tiver condenação transitada em
julgado (quando não cabe mais recurso). A Lei da Ficha Limpa permite que
a inelegibilidade seja declarada após decisão de um órgão colegiado. O
ministro invocou o artigo 15, inciso III, da Constituição Federal, que
somente admite a suspensão de direitos políticos por sentença
condenatória transitada em julgado. Com relação à retroatividade da lei,
o ministro Dias Toffoli votou pela sua aplicação a fatos ocorridos
anteriores à sua edição.
O ministro Gilmar Mendes acompanhou a divergência aberta pelo
ministro Dias Toffoli, mas em maior extensão. Para ele, a lei não pode
retroagir para alcançar candidatos que já perderam seus cargos eletivos
(de governador, vice-governador, prefeito e vice-prefeito) por
infringência a dispositivo da Constituição estadual, da Lei Orgânica do
Distrito Federal ou da Lei Orgânica dos municípios. Segundo o ministro
Gilmar Mendes, a lei não pode retroagir para alcançar atos e fatos
passados, sob pena de violação ao princípio constitucional da segurança
jurídica (art. 5º, inciso XXXVI).
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello,
votou pela inconstitucionalidade da regra da Lei Complementar 135/10, a
Lei da Ficha Limpa, que prevê a suspensão de direitos políticos sem
decisão condenatória transitada em julgado. “Não admito possibilidade
que decisão ainda recorrível possa gerar hipótese de inelegibilidade”,
disse.
Ele também entendeu, como o ministro Marco Aurélio, que a norma não
pode retroagir para alcançar fatos pretéritos, ou seja, fatos ocorridos
antes da entrada em vigor da norma, em junho de 2010. Para o decano,
isso ofende o inciso XXXVI do artigo 5º da Constituição Federal, que
determina o seguinte: “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
jurídico perfeito e a coisa julgada”. Segundo o ministro Celso de Mello,
esse dispositivo é parte do “núcleo duro” da Constituição e tem como
objetivo impedir formulações casuísticas de lei.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar
Peluso, votou no sentido de que a Lei Complementar 135/2010, ao dispor
sobre inelegibilidade, não pode alcançar fatos ocorridos antes de sua
vigência. Isso porque, para o presidente a inelegibilidade seria, sim,
uma restrição de direitos.
O ministro Peluso disse concordar com o argumento de que o momento de
aferir a elegibilidade de um candidato é o momento do pedido de
registro de candidatura. Ele frisou que o juiz eleitoral tem que
estabelecer qual norma vai aplicar para fazer essa avaliação. Para o
ministro, deve ser uma lei vigente ao tempo do fato ocorrido, e não uma
lei editada posteriormente.
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=200495
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Preocupação com as controvérsias surgidas com a vigência da Lei nº 11.738, de 2008, que trata do piso salarial dos professores.
Boa Tarde todos os @migos e professores do nosso Maranhão e Brasil.
Em julho de 2008, o Presidente
Lula sancionou uma lei que todos imaginamos que era um primeiro passo na
direção de termos no Brasil um quadro de professores bem remunerados. Foi a Lei
do Piso. Vejam que, apesar de o objetivo ser o de uma categoria bem remunerada,
o piso era de R$950 por mês. Baixíssimo! Mas era um salto.
Era um salto, já que, pela primeira vez, dizia-se: professor é uma coisa federal; é uma questão nacional; é uma preocupação do Brasil, não do pobre Município, não do pobre Estado.
Essa lei já começou sendo contestada porque se dizia que era inconstitucional o Governo Federal impor uma lei aos Estados. Ora, o piso de todos os trabalhadores, chamado salário mínimo, é uma decisão nacional. Todos têm que adotar. E ninguém contesta a constitucionalidade de muitas leis federais que temos neste País, mas se contestou a dos professores! É como se, em 1888, alguns tivessem contestado a Lei Áurea, dizendo que deveria haver Estados com escravos e Estados sem escravos, como, aliás, durante um século, ocorreu nos Estados Unidos. Havia estados que já tinham abolido a escravidão e outros que a mantinham.
Isso foi superado depois de uma luta de anos, quando o Supremo disse que havia total constitucionalidade na lei. Mas agora surge outra contestação dentro da lei, que propunha um salário mínimo para todos os professores, que coloram um artigo que diz: a carga horária do professor deve ser dividida em duas partes. Uma parte de no máximo dois terços da carga de trabalho dentro da sala de aula, como atividade pedagógica direta; e um terço como atividade pedagógica de acompanhamento dos alunos, de preparação de aulas. Mas isso começou a ser contestado agora. E foi contestado com artifícios como, por exemplo, dizer que os dez minutos em que o professor vai de uma sala para outra não devem ser contados como parte das aulas. Isso também é uma atividade de sala de aula.
Ora, não dá para fazermos artifícios. Precisamos considerar com seriedade o assunto. E houve contestações e contestações até que, no dia 31 de janeiro, um juiz do Rio de Janeiro deu uma declaração que, a meu ver, encerra o assunto legal. Mas, alguns politicos, diz que esse é um assunto educacional perigoso. Por que é preciso que haja um terço de disponibilidade da carga horária para atividades de preparação de aula, de acompanhamento dos alunos.
Pois bem, depois de greves em todos os lugares, o Sindicato dos Professores de São Paulo teve a lucidez de procurar resolver o assunto pela Justiça. A Justiça deu seu pronunciamento, e o assunto continua pairando, porque ninguém sabe como contabilizar. Não há dúvida, pela declaração do juiz, de que temos de considerar aqueles dez minutos como parte da aula, até porque o professor não sai como no filme de televisão, em que as pessoas se mudam de um lugar para o outro simultaneamente. Ao longo do caminho, eles estão conversando, estão ouvindo. É aula. Qual é a minha preocupação? E esta é uma preocupação grave? Para que isso seja possível, de fato, será necessário contratar mais professores. Tirar todos os professores de atividades administrativas e colocá-los na sala de aula já seria uma grande ajuda. Oferecer condições para que os professores não fiquem doentes, como ficam no Brasil, dá mais professores. Mesmo assim, é um terço a mais de aula. E temo que, de repente, surja um acordo entre os que têm poder para que se resolva o problema diminuindo o número de aulas que os alunos têm a receber ao longo do ano, ou seja, organizar o um terço e os dois terços diminuindo o número de aulas.
A Lei Áurea já trouxe algo assim, porque libertou os escravos, mas não deu a terra. A Lei Áurea deveria estabelecer: os escravos passam a receber, neste momento, um pedaço das terras onde trabalham. Não, foram libertados e jogados na miséria, jogados na pobreza, expulsos para as favelas.
Precisamos evitar isso. Só há uma saída: um acordo, um pacto entre professores e Governo, dando um prazo de alguns meses para fazer os concursos necessários, a fim de que o número de professores seja suficiente para reduzir a carga horária em sala de aula a dois terços da sua carga de trabalho, para que eles tenham um terço da carga de trabalho destinado a preparar aulas, a orientar alunos. Essa é minha primeira preocupação.
Isso não dá para ser imediato. Esperaram dois anos para começar a fazer isso, três. É um absurdo que governadores e prefeitos tenham esperado três anos para começar a fazer isso. De qualquer maneira, foram irresponsáveis, mas não podem ser mágicos, não podem ser mágicos. É preciso começar já, abrindo os concursos, A intenção da lei é aumentar o tempo do professor para que ele possa dedicar-se a uma atividade acadêmica competente quando estiver em sala de aula e fazer o acompanhamento das crianças com problemas, das crianças com dúvidas, para que elas possam não apenas receber aula no meio das outras crianças, mas terem um atendimento privilegiado, particular, de orientação individual quando for preciso.
Será muito triste, se uma lei que foi feita para beneficiar a educação beneficie governo, não aumentando gastos, e professor, reduzindo o número de aulas em sala de aula. Nós temos de exigir do Governo que use os seus recursos para contratar os professores adicionais necessários para reduzir essa absurda, essa criminosa carga de 40 horas dentro de sala de aula falando, dentro de sala de aula dando aula. Isso é um crime contra o País. Não pode continuar.
Minha proposta, na verdade, seria: 50% de aula e 50% de preparação de aula e acompanhamento pedagógico das crianças. Não conseguimos 50%, conseguimos apenas um terço, mas esse terço tem de ser cumprido sem sacrificar as crianças, sem reduzir o número de aulas, sem reduzir o tempo anual que as crianças ficam e sem eliminar disciplinas, que eu temo, como se a Lei do Piso fosse implantada às custas de a LDB não ser implantada. Nós estamos vendo esse risco.
E outro é que o tempo que os professores vão estar fora da sala de aula – que eu não chamo de tempo livre, isso não é tempo livre, é fora da sala de aula – seja usado para atividades pedagógicas dentro e relacionadas com a escola onde eles estão, com os alunos que eles têm, e não como forma de complementar a renda ou como forma de aumentar um pouquinho as férias que eles poderiam ter todos os dias.
Eu faço um apelo aqui para que haja um pacto de conduta entre governos ao longo deste País, municipais e estaduais, e os professores que esses Municípios e Estados têm, para que a Lei do Piso seja entendida como uma lei para beneficiar o aluno. Não é para beneficiar o professor, é para beneficiar o aluno. Isso é um direito óbvio do professor, porque sem isso ele não cumpre bem sua função. O professor não está sendo beneficiado. Ele está sendo prestigiado em nome da educação. Beneficiada é a educação das crianças. Nós não podemos abrir mão disso.
A Lei do Piso só foi feita depois de 119 anos depois da Proclamação da República. Passamos 119 anos sem isso. Foi um crime longo demais. Não podemos, agora, pegar essa lei tão difícil e deturpá-la. Os governos querem rasgá-la, os governos estaduais e municipais, desde aqueles que pediram a inconstitucionalidade, desde aqueles que entraram com liminares na Justiça para conseguir impedir o cumprimento.
Os professores lutam por ela, mas devem lutar não pensando no benefício próprio, mas pensando no beneficio para a educação; não dizendo à população que eles querem um terço de liberdade de trabalho, mas dizendo que eles querem que o seu trabalho seja eficiente, pleno, completo. Para isso, uma parte na sala de aula, uma parte em salas onde possam acompanhar os alunos, preparar aulas, ler livros e estudar. Eu concluo, ao lado desse apelo aos professores, sugerindo que leiam o que o Juiz, o Dr. Luiz Fernando Camargo Vidal fez em nome da aplicação da Lei do Piso. Não vou publicar em nosso blog por que é longo o parecer. Como gostaria, porque merece. É uma peça que merece ser lida.
Que entendamos que tudo isso que ele está dizendo aqui só faz sentido se for feito o exercício de beneficiar os alunos e a educação, dando condições aos professores. Não se trata de benefício aos professores. Se os professores transformarem essas condições em benefícios de redução da dedicação deles, mata-se a Lei do Piso. A redução do tempo de trabalho dentro de sala de aula não é uma redução do trabalho. O trabalho continua sendo de 40 horas, apenas uma parte em sala de aula, outra parte fora da sala de aula. Eu temo que isso não seja cumprido, que não fique dentro da escola, que usem o tempo para benefício próprio, em alguns casos, e temo que se possa reduzir a carga de matérias. Para atender a carga de aula dos professores, reduz-se a carga de disciplinas, como aconteceu recentemente em um Estado: eliminou-se Física do ensino médio porque não havia professor. É inacreditável! É como se dissesse que não precisa de oxigênio o doente no hospital. Já que não há oxigênio, não precisa de oxigênio. A mesma coisa é dizer: não se precisa de Física, ou de Matemática, ou de História, ou de Geografia, porque não há dinheiro, nem professor. É preciso contratar professores.
Além desse pedido de que haja um acordo na ótica do interesse da educação e da criança, e não na ótica do interesse do Governo, ou na ótica do interesse do professor, quero lembrar aqui a defesa da federalização da educação. Além disso, o piso é federal e obriga o Município a pagar. Como, se o Município não tem condições? O Governo Federal tem que fazer da educação uma questão nacional. Enquanto a educação de base não for uma questão nacional, não teremos a educação de base que nós merecemos, a qualidade e, sobretudo, não teremos a educação de base igual no Brasil inteiro, nas mesmas condições. Como a agência do Banco do Brasil, numa rua de uma cidade pequena como a nossa, e vê uma agência do Banco do Brasil com a mesma qualidade de uma em São Paulo. Você atravessa a rua e entra numa escola pública, você vê a diferença fundamental de outras escolas públicas, às vezes até dentro da mesma cidade.
Só a federalização, só fazendo a educação uma questão educacional. Todo país em que a educação é boa, ela pelo menos iniciou-se federal, depois até passou para local. Era isso que eu teria para dizer, Muito obrigado, quero só lembrar que podemos discutir como manter a especificidade da escola, conforme as características do lugar, mas a criança, quando nasce, primeiro ela é brasileira; depois, Maranhense. Primeiro ela é brasileira, depois de Roraima, depois de Pernambuco ou de Brasília. Primeiro é brasileira. Portanto, deve ser tratada como brasileira e, dessa forma, com as mesmas condições, com as mesmas chances, com a oferta da mesma educação e dando a ela a saúde necessária, porque, caso contrário, não estuda. Educação é mais importante, mas saúde é mais urgente, pois deve ser resolvida naquele instante
Era um salto, já que, pela primeira vez, dizia-se: professor é uma coisa federal; é uma questão nacional; é uma preocupação do Brasil, não do pobre Município, não do pobre Estado.
Essa lei já começou sendo contestada porque se dizia que era inconstitucional o Governo Federal impor uma lei aos Estados. Ora, o piso de todos os trabalhadores, chamado salário mínimo, é uma decisão nacional. Todos têm que adotar. E ninguém contesta a constitucionalidade de muitas leis federais que temos neste País, mas se contestou a dos professores! É como se, em 1888, alguns tivessem contestado a Lei Áurea, dizendo que deveria haver Estados com escravos e Estados sem escravos, como, aliás, durante um século, ocorreu nos Estados Unidos. Havia estados que já tinham abolido a escravidão e outros que a mantinham.
Isso foi superado depois de uma luta de anos, quando o Supremo disse que havia total constitucionalidade na lei. Mas agora surge outra contestação dentro da lei, que propunha um salário mínimo para todos os professores, que coloram um artigo que diz: a carga horária do professor deve ser dividida em duas partes. Uma parte de no máximo dois terços da carga de trabalho dentro da sala de aula, como atividade pedagógica direta; e um terço como atividade pedagógica de acompanhamento dos alunos, de preparação de aulas. Mas isso começou a ser contestado agora. E foi contestado com artifícios como, por exemplo, dizer que os dez minutos em que o professor vai de uma sala para outra não devem ser contados como parte das aulas. Isso também é uma atividade de sala de aula.
Ora, não dá para fazermos artifícios. Precisamos considerar com seriedade o assunto. E houve contestações e contestações até que, no dia 31 de janeiro, um juiz do Rio de Janeiro deu uma declaração que, a meu ver, encerra o assunto legal. Mas, alguns politicos, diz que esse é um assunto educacional perigoso. Por que é preciso que haja um terço de disponibilidade da carga horária para atividades de preparação de aula, de acompanhamento dos alunos.
Pois bem, depois de greves em todos os lugares, o Sindicato dos Professores de São Paulo teve a lucidez de procurar resolver o assunto pela Justiça. A Justiça deu seu pronunciamento, e o assunto continua pairando, porque ninguém sabe como contabilizar. Não há dúvida, pela declaração do juiz, de que temos de considerar aqueles dez minutos como parte da aula, até porque o professor não sai como no filme de televisão, em que as pessoas se mudam de um lugar para o outro simultaneamente. Ao longo do caminho, eles estão conversando, estão ouvindo. É aula. Qual é a minha preocupação? E esta é uma preocupação grave? Para que isso seja possível, de fato, será necessário contratar mais professores. Tirar todos os professores de atividades administrativas e colocá-los na sala de aula já seria uma grande ajuda. Oferecer condições para que os professores não fiquem doentes, como ficam no Brasil, dá mais professores. Mesmo assim, é um terço a mais de aula. E temo que, de repente, surja um acordo entre os que têm poder para que se resolva o problema diminuindo o número de aulas que os alunos têm a receber ao longo do ano, ou seja, organizar o um terço e os dois terços diminuindo o número de aulas.
A Lei Áurea já trouxe algo assim, porque libertou os escravos, mas não deu a terra. A Lei Áurea deveria estabelecer: os escravos passam a receber, neste momento, um pedaço das terras onde trabalham. Não, foram libertados e jogados na miséria, jogados na pobreza, expulsos para as favelas.
Precisamos evitar isso. Só há uma saída: um acordo, um pacto entre professores e Governo, dando um prazo de alguns meses para fazer os concursos necessários, a fim de que o número de professores seja suficiente para reduzir a carga horária em sala de aula a dois terços da sua carga de trabalho, para que eles tenham um terço da carga de trabalho destinado a preparar aulas, a orientar alunos. Essa é minha primeira preocupação.
Isso não dá para ser imediato. Esperaram dois anos para começar a fazer isso, três. É um absurdo que governadores e prefeitos tenham esperado três anos para começar a fazer isso. De qualquer maneira, foram irresponsáveis, mas não podem ser mágicos, não podem ser mágicos. É preciso começar já, abrindo os concursos, A intenção da lei é aumentar o tempo do professor para que ele possa dedicar-se a uma atividade acadêmica competente quando estiver em sala de aula e fazer o acompanhamento das crianças com problemas, das crianças com dúvidas, para que elas possam não apenas receber aula no meio das outras crianças, mas terem um atendimento privilegiado, particular, de orientação individual quando for preciso.
Será muito triste, se uma lei que foi feita para beneficiar a educação beneficie governo, não aumentando gastos, e professor, reduzindo o número de aulas em sala de aula. Nós temos de exigir do Governo que use os seus recursos para contratar os professores adicionais necessários para reduzir essa absurda, essa criminosa carga de 40 horas dentro de sala de aula falando, dentro de sala de aula dando aula. Isso é um crime contra o País. Não pode continuar.
Minha proposta, na verdade, seria: 50% de aula e 50% de preparação de aula e acompanhamento pedagógico das crianças. Não conseguimos 50%, conseguimos apenas um terço, mas esse terço tem de ser cumprido sem sacrificar as crianças, sem reduzir o número de aulas, sem reduzir o tempo anual que as crianças ficam e sem eliminar disciplinas, que eu temo, como se a Lei do Piso fosse implantada às custas de a LDB não ser implantada. Nós estamos vendo esse risco.
E outro é que o tempo que os professores vão estar fora da sala de aula – que eu não chamo de tempo livre, isso não é tempo livre, é fora da sala de aula – seja usado para atividades pedagógicas dentro e relacionadas com a escola onde eles estão, com os alunos que eles têm, e não como forma de complementar a renda ou como forma de aumentar um pouquinho as férias que eles poderiam ter todos os dias.
Eu faço um apelo aqui para que haja um pacto de conduta entre governos ao longo deste País, municipais e estaduais, e os professores que esses Municípios e Estados têm, para que a Lei do Piso seja entendida como uma lei para beneficiar o aluno. Não é para beneficiar o professor, é para beneficiar o aluno. Isso é um direito óbvio do professor, porque sem isso ele não cumpre bem sua função. O professor não está sendo beneficiado. Ele está sendo prestigiado em nome da educação. Beneficiada é a educação das crianças. Nós não podemos abrir mão disso.
A Lei do Piso só foi feita depois de 119 anos depois da Proclamação da República. Passamos 119 anos sem isso. Foi um crime longo demais. Não podemos, agora, pegar essa lei tão difícil e deturpá-la. Os governos querem rasgá-la, os governos estaduais e municipais, desde aqueles que pediram a inconstitucionalidade, desde aqueles que entraram com liminares na Justiça para conseguir impedir o cumprimento.
Os professores lutam por ela, mas devem lutar não pensando no benefício próprio, mas pensando no beneficio para a educação; não dizendo à população que eles querem um terço de liberdade de trabalho, mas dizendo que eles querem que o seu trabalho seja eficiente, pleno, completo. Para isso, uma parte na sala de aula, uma parte em salas onde possam acompanhar os alunos, preparar aulas, ler livros e estudar. Eu concluo, ao lado desse apelo aos professores, sugerindo que leiam o que o Juiz, o Dr. Luiz Fernando Camargo Vidal fez em nome da aplicação da Lei do Piso. Não vou publicar em nosso blog por que é longo o parecer. Como gostaria, porque merece. É uma peça que merece ser lida.
Que entendamos que tudo isso que ele está dizendo aqui só faz sentido se for feito o exercício de beneficiar os alunos e a educação, dando condições aos professores. Não se trata de benefício aos professores. Se os professores transformarem essas condições em benefícios de redução da dedicação deles, mata-se a Lei do Piso. A redução do tempo de trabalho dentro de sala de aula não é uma redução do trabalho. O trabalho continua sendo de 40 horas, apenas uma parte em sala de aula, outra parte fora da sala de aula. Eu temo que isso não seja cumprido, que não fique dentro da escola, que usem o tempo para benefício próprio, em alguns casos, e temo que se possa reduzir a carga de matérias. Para atender a carga de aula dos professores, reduz-se a carga de disciplinas, como aconteceu recentemente em um Estado: eliminou-se Física do ensino médio porque não havia professor. É inacreditável! É como se dissesse que não precisa de oxigênio o doente no hospital. Já que não há oxigênio, não precisa de oxigênio. A mesma coisa é dizer: não se precisa de Física, ou de Matemática, ou de História, ou de Geografia, porque não há dinheiro, nem professor. É preciso contratar professores.
Além desse pedido de que haja um acordo na ótica do interesse da educação e da criança, e não na ótica do interesse do Governo, ou na ótica do interesse do professor, quero lembrar aqui a defesa da federalização da educação. Além disso, o piso é federal e obriga o Município a pagar. Como, se o Município não tem condições? O Governo Federal tem que fazer da educação uma questão nacional. Enquanto a educação de base não for uma questão nacional, não teremos a educação de base que nós merecemos, a qualidade e, sobretudo, não teremos a educação de base igual no Brasil inteiro, nas mesmas condições. Como a agência do Banco do Brasil, numa rua de uma cidade pequena como a nossa, e vê uma agência do Banco do Brasil com a mesma qualidade de uma em São Paulo. Você atravessa a rua e entra numa escola pública, você vê a diferença fundamental de outras escolas públicas, às vezes até dentro da mesma cidade.
Só a federalização, só fazendo a educação uma questão educacional. Todo país em que a educação é boa, ela pelo menos iniciou-se federal, depois até passou para local. Era isso que eu teria para dizer, Muito obrigado, quero só lembrar que podemos discutir como manter a especificidade da escola, conforme as características do lugar, mas a criança, quando nasce, primeiro ela é brasileira; depois, Maranhense. Primeiro ela é brasileira, depois de Roraima, depois de Pernambuco ou de Brasília. Primeiro é brasileira. Portanto, deve ser tratada como brasileira e, dessa forma, com as mesmas condições, com as mesmas chances, com a oferta da mesma educação e dando a ela a saúde necessária, porque, caso contrário, não estuda. Educação é mais importante, mas saúde é mais urgente, pois deve ser resolvida naquele instante
Aelson Barros
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