sábado, 19 de maio de 2012

Programa Brasil Carinhoso

Meus Amigos, eu vou aqui fazer coro com todos aqueles que elogiam o lançamento do programa Brasil Carinhoso. Todos nós que assistimos à apresentação da Presidenta. O programa temos que reconhecer que esse é um salto positivo, que esse é um salto de generosidade que o Brasil esperou séculos para fazer.
Mas devo dizer que nem tudo que é bom é suficiente. E o programa lançado ainda não é suficiente, longe está. Pode-se até dizer que a própria Presidenta, durante o seu discurso, disse que isso ainda é pouco. Eu quero ir nessa linha que ela própria abriu à margem: é pouco e precisa ser mais.
Em primeiro lugar, é preciso lembrar que não basta o carinho às crianças, embora eu ache que seja o mais importante, que certamente gostaria de ver também mais carinho com os aposentados. Eu, pessoalmente, gostaria de ver mais carinho com os professores. E não dá para jogar todo o custo do salário dos professores sobre os ombros dos prefeitos, como não dá o Fundeb atual para elevar o salário dos professores como deveria.
Então, inicialmente, elogiando que tenha havido esse programa, esse salto, fica aqui o registro de que precisamos de outros carinhos, inclusive um carinho muito especial: se o Brasil quer ser carinhoso, há 14 milhões de adultos analfabetos neste País e que ainda não têm um programa avançado, radical de erradicação do analfabetismo. Meus Amigos, é preciso ser carinhoso também com esses 14 milhões de analfabetos, com os muitos milhões de aposentados, com os dois milhões de professores da rede pública. A Presidente ainda tem tempo de fazer esses gestos carinhosos.
Quero lembrar também que temos, às vezes, sido mais do que carinhosos – e não vamos usar nenhuma palavra para mostrar o além do carinho – com alguns setores, com os incentivos que são dados à indústria no Brasil, os incentivos que são dados na desoneração da folha de pagamento para beneficiar empresários. Ou seja, quando a gente compara esses carinhos ao setor produtivo com os carinhos ao setor social, percebemos que o setor produtivo ainda está sendo mais bem aquinhoado de carinho por parte dos governos.
Ao mesmo tempo em que quero elogiar o lançamento do programa, quero chamar a atenção para o que vem depois de carinhos feitos e maiores com outros setores que talvez precisem de muito menos. Mas, além disso, quero falar da insuficiência pela necessidade, possibilidade e exemplos que temos de um sistema que vá além do carinho e transforme este País.
Nós temos hoje 13 milhões de bolsas família sendo distribuídas. Eu estava pensando aqui: se pegássemos de 2004 para cá... Nem tanto de 2001, quando realmente começou no governo Fernando Henrique, nem indo lá atrás. Se considerarmos mesmo de 2004 para cá e se considerarmos que a idade média das crianças, em 2004, que recebiam a bolsa família fosse de 12 anos, essas crianças hoje estariam com 19 anos, ou seja, já são pais que recebem a bolsa família, porque a bolsa família não abriu a porta para que elas pudessem viver sem a bolsa família.
Um dia, quando contarem a história do programa Bolsa Família, vão reconhecer que é uma elevada generosidade. No entanto, o mundo e cada país só devem realmente comemorar quando o número de pessoas que precisam da bolsa escola, da bolsa família diminuir, e não quando aumentar. Quando aumenta, Meus Amigos, é prova de generosidade, mas, quando diminui, é prova de justiça. O aumento no número de bolsas família é uma questão de generosidade; a redução daqueles que necessitam desse programa, aí sim, é uma questão de justiça.
É ótimo termos governos generosos. Mas nós precisamos dar um salto para transformar um programa generoso em um programa justo. 
Foi um erro qualitativo com um excelente avanço quantitativo e, do ponto de vista de matar a fome, de atender imediatamente às necessidades, temos que tirar o chapéu para o programa. Do ponto de vista de fazer justiça no sentido de diminuir a necessidade de bolsas, ainda estamos um pouco longe, mas, pelo menos, a Presidenta ontem mostrou que estamos caminhando – devagar, para o meu gosto –, mas na direção certa.
Era isso, Meus Amigos.
  

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